Sempre a Lua
Todo o mundo sempre coloca a culpa nela. Teve enchente? Não pegou peixe? O cabelo não cresceu? Acordou mau humorado? O lobisomem te atacou? Tudo culpa da Lua, aquela redondinha que ilumina as nossas noites e que substitui o Sol na árdua tarefa diária de mostrar que afinal não vivemos num cenário e que se por acaso estivéssemos num filme, não seríamos os atores principais.
Durante séculos olhamos para ela com respeito e mistério. Não sabíamos o que existia no seu lado oculto, aliás nem no lado visível. Tivemos que ir lá em cima, pisar e tirar a prova por nós mesmos, tomar posse e gritar “é minha”, apesar de sabermos muito bem que a Lua é de todos e não é de ninguém.
Depois disso, o ser humano abandonou a coitadinha. Ir à Lua? Pra que, meu Deus se a gente já foi lá tantas vezes? Colonizar a Lua? Talvez, mas só se não tiver mais nada pra fazer. Chegamos ao ponto de rebaixá-la na hierarquia dos astros e escrever o seu nome com letra minúscula. Começamos a tratar os corpos celestes com intimidade. O “sol”, a “lua” mas por outro lado, a “Terra”, afinal é onde NÓS moramos e o que importa é sempre o nosso umbigo.
E a Lua, que já inspirou tantos amantes, iluminou tantos navegadores e aconselhou tantas dúvidas foi diminuída à mera coadjuvante das nossas vidas. Sabemos onde ela está, pra que serve e do que é feita, página seguinte.
Mas na semana passada, voltamos a pensar na Lua de uma maneira diferente, simplesmente porque ela estaria mais próxima, mais brilhante e mais bonita. Fotógrafos, cinegrafistas, astrônomos amadores e curiosos, todos tiraram cinco minutos do seu dia para estar do lado de fora, levantar a cabeça e, por alguns momentos, não fazer nada além de olhar para a Lua, tentando achar diferenças de brilho, de tamanho, de cor, para no final poderem dizer que participaram desse momento único.
Emoção, sorrisos, fotos, tudo documentado e guardado. Agora posso contar um segredo. A Lua não estava diferente, ou pelo menos não muito mais do que a maneira como lembramos dela. Para ilustrar, conto um trecho de um episódio da série “Anos Incríveis” em que Kevin Arnold queria faltar na escola e inventou para a mãe que estava com dor de garganta. Ela pede para que seu filho abra a boca e diz “é, realmente parece mais vermelha mesmo” e a voz off de Kevin observa que “felizmente ela não sabia como era a minha garganta normalmente”. Então, se precisamos imaginar que alguma transformação ocorreu para que voltemos a amar a Lua como antes, que assim seja.
Vim agradecer o comentario no meu blog. Eu gosto da sua forma de escrever, mas acho que poderia escrever mais. Tempo pode ser pouco, mas escrever e’ terapia e faz bem ate’ para os que leem seu texto. Acho que deveria escrever mesmo sobre seu boss. Seria divertido ler sobre aquilo que eu vivo constantemente! Um abraco!