Junho 26, 2009

Michael Jackson 1958-2009

Minha gata, ainda sem nome, está olhando para a televisão, vendo um clip do Michael Jackson. Minha gata não conhece o Michael Jackson. Minha gata não sabe dançar Moonwalk e nenhuma outra dança. Minha gata não sabe que o Michael Jackson morreu. Talvez seja a única.
Ontem à noite, Carol e eu estávamos jogados no sofá vendo televisão quando a chata da Fátima Bernardes disse que MJ tinha sido internado às pressas depois de um ataque cardíaco. Queixo no chão, fomos procurar na Internet outras notícias sobre o assunto, quando percebemos que a coisa era mais grave do que o Jornal Nacional prudentemente anunciava. Esse é a resposta da pergunta que todos vamos nos fazer nos próximos cinquenta anos, “Onde você estava quando o MJ morreu?”
Mas ainda hoje penso que não pode ser verdade. Não que eu pensasse que ele nunca morreria, mas era algo que não imaginava tão cedo, mesmo com os boatos de uma saúde tão deteriorada. E assistindo televisão ontem, dava para perceber a consternação estampada no rosto de todos os jornalistas e principalmente nos homens e mulheres na faixa dos 30 a 40 anos, pessoas que, como eu, cresceram ouvindo Michael Jackson, amadureceram ouvindo seus escândalos e que começam a envelhecer, involutariamente, com a notícia de sua morte.
Hoje de manhã, acordei e quando liguei a televisão pensava ouvir tudo menos sobre a morte de MJ. Em oito horas de sono muita coisa acontece e sonhamos coisas malucas. Desastres de avião, passeios com colegas de escola de vinte anos atrás, números da loteria, a morte de Michael Jackson, enfim, todo o tipo de coisas sem sentido.
No entanto, era verdade. Já não havia mais suspeitas nem cuidado especial em noticiar o até então impensável: Michael Jackson morreu. Eu, quando escrevi essas três palavras juntas pela primeira vez hoje de manhã no Twitter parecia que estava fazendo uma brincadeira com palavras, escrevendo coisas absurdas e ver como elas ficam no papel. Depois das primeiras três palavras, escrevi outras, até chegar aos 160 caracteres do twitter e dei enter. Confirmei param mim mesmo o que todo mundo já tinha confirmado.
Escrevi um texto em agosto do ano passado sobre os 50 anos de Michael Jackson, com alguns clipes divertidos e representativos da carreira do rei do pop mas o “presente” naquele texto era a decadência dele e nunca imaginava uma morte anunciada. Quando ele anunciou a série de shows em Londres em julho deste ano, sempre imaginei que iria acontecer alguma coisa antes para ele adiar os espetáculos, principalmente depois do adiamento da data dos primeiros shows devido aos atrasos nos ensaios. Aliás, quando ouvi os primeiros boatos sobre a morte ainda pensei que se tratava de um modo de fugir dessa responsabilidade. No fundo todos queremos pensar que MJ tomou o mesmo rumo incerto de Elvis e de Jim Morrison, que, apesar de terem atestado de óbito, lápides e morte confirmadas, mantêm a aura de morte fingida para poder, em algum lugar do mundo, curtir a vida sem mídia, sem fotos e sem fãs.
Nas ruas de Paris, pela manhã, tudo continuava no seu rumo normal, sem evidências de que o rei do pop tivesse morrido. Mentira. Logo quando entrei no metrô de Paris, um jovem com uns 17 anos, fone de ouvido e look rapper dançava e cantava com uns amigos um trechinho de Billie Jean. Nas páginas dos jornais, MJ era de novo notícia e vendia mais uma vez.
Em plena Champs Elysées, entro na loja da Virgin e ouço no máximo volume os acordes inconfundíveis de Don’t Stop Till You Get Enough e o clip passando em quase uma centena de monitores por toda a enorme loja. No hall central, de onde sai uma escadaria majestosa para o primeiro andar, pessoas de todas as idades paravam de comprar para observar hipnotizadas os passos de MJ. Mas dessa vez o olhar não era de contentamento pelo swing do astro mas de uma certa melancolia. A mesma melancolia que todos nós sentimos ontem e hoje, de quem perdeu algo, não um parente, não um amigo, na verdade alguém distante, bem distante de mim e de todos, mas que conseguiu estar em todos os lugares ao mesmo tempo e com todas as pessoas.
Michael Jackson não morreu jovem como Joplin, Morrison, Hendrix ou Kubain, ele tinha quase 51 anos, o que não o torna velho tãopouco. Assim como Peter Pan, MJ não queria envelhecer e as plásticas escondiam as rugas que tanta gente tem medo. Nós, eternos jovens, eternas crianças, também não queríamos ver o nosso rei envelhecendo, queríamos o eterno dançarino, o eterno cantor, o eterno performer, para que, de certa forma, parássemos o tempo para nós também.
Minha gata agora dorme e não está prestando atenção nos detalhes da biografia de Michal Jackson, repetida pela enésima vez na televisão. Minha gata não liga para retrospectivas. Talvez por ser apenas uma gata, mas talvez porque ela já saiba, mesmo sem saber, de tudo o que Michael Jackson foi e significou para nós.

Junho 17, 2009

Curtas

Depois das suas últimas declarações, o presidente do Senado, José Sarney resolveu entrar na comunidade do Orkut “Não fui eu, foi meu Eu Lírico”.

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Definição de contagem parcial de votos no Irã: vão contar os primeiros 1000 votos para Ahmadinejad e depois param, se ele continuar vencedor, provam que foi reeleito.

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Twitter imaginário de Sarney: “Não fui eu, já tava assim quando eu cheguei”

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Twitter imaginário de Dunga: “Não fui eu, já tava assim quando eu cheguei”

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O político lá, dando duro, tendo o maior trabalho para manter a honestidade, suando feio por nossa culpa, já que o povo é o obrigou a estar lá, naquele palanque quente e frouxo, indo noite e dia para a labuta árida da política nacional, e nós, meros cidadãos brasileiros por trás da tela de um computador, ficamos aqui atirando tomates na roupa limpa e branca da inocência de quem ocupa um cargo público. Que vergonha, o povo deveria era ser preso por trás de umas grades em casa, todo mundo mesmo, sem exceção, e só ser liberado pra ir votar de quatro em quatro anos. Isso é pra aprender a não duvidar de quem dá sangue e suor pela pátria a troca de meros milhões e uns simples cargos públicos, mamatas e favorecimentos. Povo incréu!

Junho 4, 2009

Tiananmen, vinte anos depois

O vídeo não matou as estrelas de rádio e muito menos assassinou a fotografia. Vinte anos depois, as imagens do massacre na praça Tiananmen, em Pequim, ainda impressionam e a famosa foto do Tank Man é o símbolo da luta solitária dos estudantes chineses contra a mão pesada do Estado opressor. No entanto não existe apenas uma foto, mas quatro, tiradas por quatro fotógrafos diferentes e com histórias diferentes.

Conhecemos também a força semiótica do filme feito pela BBC e pela CNN com o homem solitário se movendo para a esquerda e para a direita, tentando bloquear a passagem da coluna de tanques por algumas vezes, até o momento em que o jovem sobe num dos tanques e tenta falar com o soldado no interior da máquina de guerra e em seguida é levado por dois civis e desaparece para sempre desde então.

Mas as fotos são o instante decisivo de Bresson, onde o tempo parou e a história foi feita. Infelizmente a maioria dos chineses simplesmente desconhece a imagem e, na época, a versão oficial era bem diferente, referindo-se à nobreza dos militares chineses que “pouparam” o manifestante solitário que poderia ser destruído pela força de guerra chinesa se essa fosse a real vontade dos militares.

Versões à parte, as imagens estão aí e as histórias por trás delas são tão fascinantes como as fotografias. Para quem lê em inglês e é apaixonado por fotografia, segue o link do blog de fotografia do New York Times.

Os autores das fotos são Charlie Cole, da Newsweek, Stuart Franklin, da Magnum, Jeff Widener da Associated Press e Arthur Tsang, da Reuters, todos eles com leituras diferentes do mesmo momento. Vale a pena.

Num outro registro, também em inglês, já que não encontrei a versão legendada em português, o episódio dos Simpsons na China, bem engraçado, principalmente quando Homer está na praça Tiananmen e lê uma placa comemorativa dizendo “Neste local, em 1989, nada aconteceu”. ;-)

The Simpsons 1612 Goo Goo Gai Pan

Maio 28, 2009

Conhecer Pyongyang

“Lutar 100  vezes e vencer 100 vezes. Viva o Partido dos Trabalhadores de Choson que é o responsável de todas as vitórias e o guia de todo o povo de Choson”. A frase que inicia o texto é a tradução de uma inscrição que ilustra a capa de Pyongyang, um livro de história em quadrinhos do cartunista e animador canadense  Guy Delisle. Pyongyang é a minha dica de hoje, que apesar de não ser propriamente uma novidade, tem toda a atualidade, principalmente depois dos últimos acontecimentos na Coréia do Norte. Aliás, “Choson” é o nome da antiga nação formada pela Coréia do Norte e do Sul unificadas.

O livro é uma espécie de diário da estadia de Guy em território norte-coreano, onde o canadense foi trabalhar por dois meses como supervisor de um estúdio de animação local. O relato é sincero e usa o bom humor para conseguir entender diferenças culturais gigantescas e a dura realidade de uma ditadura de mão de ferro que há décadas controla o país. As linhas, que misturam a simplicidade e a fidelidade fotográfica, funcionam como cartas de um infiltrado, que a cada dia tenta entender mais sobre o local onde reside temporariamente. Realidade e ficção se misturam, num texto solitário, acompanhado apenas de seu fiel companheiro guia/tradutor, uma figura engraçada e triste de quem Guy tenta se desvenciliar por diversas vezes para conhecer a verdadeira Coréia do Norte.

Editado inclusive na Coréia do Sul, Pyongyang tem edição brasileira pela Zarabatana e conta com um extra en relação à versão francesa: duas páginas com as coordenadas geográficas dos locais citados por Guy Delisle para que o leitor possa consultar no Google Earth ou Google Maps. Uma obra fantástica, que vale a pena ler como diversão e como informação e para entender um pouco mais sobre o país que ignora o resto do mundo e que parece não precisar dele.

Pyongyang – Guy Delisle

Zarabatana Books – preço médio: 35 reais

Maio 25, 2009

Fixies, novo jeito de pedalar

Ele rodava pelas ruas de Paris em grande velocidade, entre ônibus e carros, ultrapassando por vezes algumas vespas que tentavam o equilíbrio instável desviando de pedestres. Deslizava pelo asfalto com uma rapidez impressionante, o vento no rosto, o corpo da bicicleta quase desaparecia no vulto do trânsito e ele era o rei da cidade. Paris é um lugar amigo dos ciclistas mas é bom não dar muita confiança, porque é uma relação de amizade conflituosa. De repente, o sinal vermelho o obrigava a parar, porque as regras da cidade assim exigem. Mas ao invés de um leve movimento de dedos pressionando os freios da bicicleta, ele inclinou o corpo para a frente, parou de pedalar e um ruído seco foi ouvido pelos pedestres que tiraram o olhar das vitrines por um segundo e miraram o ciclista agora parado no sinal vermelho, como se nada fosse.

Não foi um acidente, tudo era esperado e planejado. Trata-se de uma Fixie, pertencente a um ciclista que escolheu um modo de locomoção ligeiramente diferente de uma bicicleta convencional. A Fixie, nome carinhoso para Fixed Gear Bike, é uma bicicleta sem freios, sem câmbio e sem frescuras, uma evolução – ou involução, dependendo do ponto de vista – da outra bicicleta que conhecemos. Virou moda nos EUA, mais precisamente em Nova York e agora começa a ganhar fãs na cidade-luz.

Os pedais estão diretamente ligados à correia que por sua vez está unicamente ligada à roda traseira. Em outras palavras, você pode pedalar para trás ou para a frente e para parar você tenta loucamente pedalar para a trás ou simplesmente bloquear os pedais com a força das pernas. Parece complicado mas olhando pessoalente é ridiculamente simples. Claro que tudo se complica quando colocamos as mesmas fixies em ruas de NY ou de Paris, cheias de cruzamentos e de carros deesesperados por um metro quadrado de asfalto livre.

Da mesma maneira que o skate ou o snowboard nos anos 80, as fixies chocam os puristas e fazem abanar negativamente a cabeça de alguns ciclistas tradicionais. De certa forma é uma anarquia espiritual, como já disse um fixie americano; a maneira de lidar com a bike, com o meio envolvente, com os outros ciclistas, com as regras de trânsito, tudo isso é relativo para um “fixie”.

Por enquanto as fixies tem um preço inversamente proporcional à sua simplicidade, por volta de 800 dólares em média, por isso talvez a fama de hype do movimento entre os descolados de NY. Em Paris, cidade cercada pelos Velib, bicicletas municipais de livre utilização (não gratuita mas com preços bem acessíveis) começa-se a falar no assunto. No entanto, aqui na França as regras de como andar no trânsito com uma bicicleta são rígidas, apesar de nem sempre cumpridas. Não sei se a “anarquia espiritual” dos bikers americanos funcionaria em pleno no meio de sinais vermelhos, motoristas resmungões, ônibus, muitos ônibus e mais pedestres, todos tentando fazer a mesma coisa em Paris: circular.

Mas por que não tentar? Pegue a bicicleta do seu irmãozinho mais novo, do seu filho, aquela pequenininha que também dá marcha-à-ré, onde ele aprendeu a pedalar (tente não quebrá-la, por favor) e vá fazer o teste na rua mais movimentada da sua cidade. Pedale com todo o gás, no máximo de velocidade e depois tente frear. Aí na sua cidade você pode ser louco, mas lembre-se que em NY você é hype. Não se esqueça de chamar a sua mãe e seu médico para assistirem. “Olha mãe! Sem mãos.. e sem freios!”. Boa sorte. :-)

Maio 19, 2009

Heartless Bastards

Prmeira dica de muitas pra quem gosta de indie rock saídas diretamente da garagem mais próxima de você nos EUA. A primeira banda, Heartless Bastards, é um quarteto de Cincinnati, Ohio, que conta com Erika Wennerstrom nos vocais, piano e guitarra, Dave Colvin na bateria e Jesse Ebaugh no baixo. O grupo, que tem as suas origens em 2003,  já começou a dar nas vistas no final de 2004, e apesar de algumas mudanças na formação desde essa época, mantém as suas bases no blues, no folk com o rock independente nas veias. Lançado pela Fat Possum Records, um selo independente do Mississipi que tinha como objetivo descobrir nomes até então desconhecidos no mundo do blues americano, o grupo faz parte da nova estratégia da gravadora de investir em bandas de indie rock. O Heartless Bastards lançou o seu terceiro álbum “The Montain” em fevereiro desse ano e está em turnê pelos Estados Unidos com uma ligeira passagem por Paris hoje à noite. Ouvindo o som da banda você se lembra de muita gente, Pixies, Sonic Youth, The Kills e talvez até – por que não –  The Raconteurs de Jack White. Grande banda pra ouvir com um copo de cerveja, numa festa com gente legal ou se a companhia não for legal pra aumentrar o volume no máximo e esquecer do mundo. Além de ser uma grande banda, a vocalista Erika Wennerstrom lembra ainda uma das minhas ídolas do mundo rock feminino, Chrissie Hynde. Abaixo uma performance dos Heartless Bastards no programa de David Letterman este ano.

Maio 18, 2009

Boas maneiras no Facebook

Regras para as redes sociais há muitas, mas esse vídeo estilo publicidade anos 50 é um dos melhores que eu já vi, juntamente com o do Idiots of Ants, da BBC. O ano de 2009 vai ser o ano do Facebook e do Twitter e, muito provavelmente, o começo do fim do Orkut, que tem no Brasil o seu último reduto.

Facebook manners

Real Life Facebook

Para quem curtiu o grupo de comediantes ingleses, como bônus aqui vai um vídeo do Wii Breakfast, um possível novo jogo da Nintendo.

Janeiro 21, 2009

O eterno retorno

Já faz mais de dois meses que não escrevo nesse espaço e em qualquer outro. Pode parecer desanimador, um jornalista passar tanto tempo sem escrever, mas para mim é o resultado de uma equação que incluiu falta de tempo, inspiração, paciência e foi, acima de tudo, umas férias do compromisso da escrita, dos comentários e das visitas.

Esse compromisso mata muita gente e envenena um pouco a blogosfera com pseudo elogios e hipócritas trocas de links. Para não parecer que é desdém, além de não ter escrito, passei um mês sem visitar nenhum blog e nem precisei me forçar a isso, simplesmente aconteceu. Que fique claro, gosto de muita gente nessa blogosfera tupiniquim, nessa vizinhança invisível de links e mêmes, mas passei a sofrer de um mal que chamei de estafa blogueira que até hoje não sei se foi a causa ou consequência de tudo isso que estou escrevendo.

Quem acompanha esse blog há algum tempo deve se lembrar de uns trinta retornos de minha parte com a promessa do “agora estou de volta”. Ao mesmo tempo, as mesmas pessoas não devem imaginar quantas vezes eu quase apaguei o blog por simples frustração de ter uma ferramenta na minha frente e não poder, ou não conseguir, utilizá-la. Foi por pouco. Como as estrelas no céu, blogs aparecem e desaparecem todos os dias e pouca gente nota a diferença.

Pensei também em começar outro blog para (me) dar a sensação de que algo diferente vinha por aí, mas estraia me enganando e enganando a todos que me leem.

No entanto escrevo porque gosto, e não sei porque gosto tanto. Talvez porque registrar, deixar marcas, é algo que faz de nós alguém. Escrevo, logo existo. Portanto, se me dão licença, me deixem existindo por mais alguns muitos anos.

Novembro 24, 2008

Ai, a genética..

De acordo com notícia publicada na semana passada, cientistas suecos e poloneses descobriram, como poderia ser o rosto do astrônomo Nicolau Copérnico, morto em 1543. Os pesquisadores utulizaram pêlos (ainda tem circunflexo diferencial no pêlo de vocês?) encontrados no livro Calendarium Romanum Magnum e juntaram com outras informações a respeito do famoso astrônomo criador da teoria heliocêntrica. Segundo eles, o rosto de Copérnico seria mais ou menos assim:

Bom, não sei vocês leitores, mas aqui em casa, no caso improvável de todas as minhas fotos desaparecerem e daqui a 500 anos alguém se interessar em tentar descobrir como eu era através de um pêlo encontrado num livro meu é bem provável que eles publiquem a seguinte foto:

dsc02261

Novembro 20, 2008

Balanço

Me pergunto às vezes se vale a pena continuar a ter blog se não temos tempo para escrever nele. Me pergunto também como algumas pessoas conseguem escrever tanto e ao mesmo tempo ter tempo de trabalhar, ler, ir ao cinema, sar com os amigos, lavar a louça, passar a roupa, limpar a casa, tudo ao mesmo tempo agora. Não sei se é falta de organização da minha parte, mas não tenho conseguido e quem aparece por aqui tem notado isso. Gosto muito desse espaço que criei há alguns anos – pelo menos 3 – e detestaria apagar o blog por apenas algumas semanas de bloqueio criativo. O resultado de tudo isso é a ausência de textos mais frequentes.

A impressão que tenho é que a inspiração vem apenas quando me é impossível escrever: na rua a caminho do trabalho, durante o trabalho, antes de dormir quando no dia seguinte tenho que acordar às 6 da manhã… Em horas em que não tenho tempo e quando tenho tempo, a pior coisa que posso me pedir é obrigação de escrever.

Agradeço a todos que aparecem por aqui e deixam os seus recados, os que não deixam também são mais do que bem vindos e o que posso garantir é que esse blog só acaba quando não me sentir capaz de escrever mais nada de novo e, aí sim, vou preferir avisar a todos os que aqui vêm na altura certa.

Humor, poesia, literatura, música, cinema, viagens, fotografia. O Prosaico já falou sobre tudo isso e muito mais e se a variedade é o seu principal defeito, pode também ser a sua principal qualidade, por trazer tanta gente diferente todos os dias aqui ao blog. Obrigado a vocês todos! :-)